O menino negro - Autor - Camara Laye- Narra a infância e adolescência de um garoto comum mas, ao mesmo tempo, muito diferente. Como todos nós, ele se diverte no quintal de casa, vai à escola, brinca e briga com os amigos. No entanto, ele também vivencia um dia a dia totalmente distinto: teme e respeita as cobras que insistem em compartilhar o terreno de seus pais, passa por um ritual coletivo de circuncisão aprendendo a lidar com seu corpo, estuda numa escola corânica e recebe uma formação muçulmana a seiscentos quilômetros de sua terra natal. Seu destino final é Paris, cidade iluminada que o converte em escritor. - 160 páginas - ano 2013
A morte do inimigo - Hans Keilson - Publicado em 1959, A morte do inimigopassou cinco décadas relegado ao esquecimento, até ser reconhecido como obra-prima, com reedições na Europa e inúmeras traduções ao redor do mundo. Esta não foi a primeira vez em que o romance desapareceu e tornou a aparecer. Suas cinquenta primeiras páginas ficaram, de fato, enterradas durante a Segunda Guerra Mundial, enquanto Hans Keilson combatia a ocupação nazista na Holanda. Quando o conflito chegou ao fim, o autor pôde enfim concluir sua obra.
Sem nomear a realidade, lançando mão de um recurso original e desafiador - palavras como “Hitler”, “judeu”, “nazista” e “Alemanha” não aparecem uma só vez ao longo do livro -, o autor de Comédia em tom menordemonstra total domínio da construção narrativa, fazendo valer sua alcunha de gênio, concedida em 2010 pelo New York Times. Embora o contexto de A morte do inimigo logo fique claro ao leitor, Keilson cria uma parábola universal, capaz de abarcar qualquer regime totalitário. Mais do que isso, ao revelar os limites da razão diante do Mal, o autor evidencia sua compreensão sensível e aguçada da natureza humana. -264 páginas - Ano 2013
O professor do desejo - Philip Hoth - Filho do proprietário de um hotel numa região muito popular de veraneio entre os judeus de classe média de Nova York, Kepesh trava contato ainda na infância com o inesquecível Herbie Bratasky, espécie de “faz-tudo” artístico do estabelecimento: crooner de orquestra, mestre de cerimônias e cômico que não se furtava em fazer graça dos aspectos mais grotescos da experiência humana. Marcado por essa figura singular, o jovem David cresce e se torna um intelectual brilhante (detentor até mesmo de uma prestigiosa bolsa Fullbright), mas sempre às voltas com inúmeras tentativas de impressionar as mulheres e levá-las para sua cama em lugares tão diversos quanto Londres, Califórnia e cidades do Leste europeu em plena Cortina de Ferro.
256 páginas - ano 2013.
Memorial do amor - Zélia Gatai - A escrita de Zélia Gattai nunca se deixou guiar pelos protocolos literários, que pedem refinamento, estilo e sentido. Desenrolou-se, ao contrário, à margem da literatura. Fixada entre a ficção e a realidade, e fazendo de si mesma uma figura ficcional, Zélia usou a literatura como um mirante, do qual - protegida pelas armaduras do imaginário - pôde se debruçar, com leveza e liberdade, sobre o mundo real.
Mesmo quando editados em separado, nos formatos em que ela os escreveu, seus livros guardam elos secretos, que os transformam em um único livro. As fronteiras de gênero e os cânones nunca interessaram a Zélia. 192 páginas - Ano 2013.
