terça-feira, 30 de abril de 2013

Lançamentos da semana


Editora Companhia das letras


Memória da pedra, de Mauricio Lyrio
Desde a juventude, Eduardo investiga a fenda que partiu sua vida ao meio” — um acidente no Rio de Janeiro, no fim dos anos 1960, que envolveu seus pais. Suicídio ou fatalidade? A resposta pode estar nos conhecimentos de um médico, ou nas lembranças escondidas da família numa casa em Teresópolis. Ou talvez o caminho seja outro, o da redenção, na possibilidade de reconstituir uma vida fraturada — o amor por Laura, a relação paternal com o menino Romário, o fascínio pela personalidade de Marina, uma mulher no limite. Tudo o que for preciso — e possível — para deixar de ouvir apenas “a mudez na face escura da montanha”. (Leia o post de Luiz Schwarcz sobre o livro)

Tipos de perturbação, de Lydia Davis (Trad. Branca Vianna)
Lydia Davis, uma das ficionistas mais importantes da literatura americana contemporânea, surpreende o leitor com a originalidade vertiginosa das 57 narrativas breves deste volume. Apagando as fronteiras entre ficção, ensaio e poesia, ela se vale das mais variadas formas, abordagens e estilos — do falso diário pessoal à paródia de análise sintática, do inventário ao epigrama — para flagrar seus personagens em momentos de solidão e insegurança. A sociedade norte-americana, com suas insuficiências e contradições, revela-se como que à revelia, nas frestas destes textos muitas vezes serenos na superfície. Aqui, o cotidiano mais convencional deixa à mostra seu substrato absurdo, assim como a linguagem sóbria esconde um humor irônico e matreiro. Não por acaso Franz Kafka é o protagonista de um dos contos. Assim como o escritor tcheco, Lydia Davis expressa com maestria literária o trágico e cômico descompasso entre o homem moderno e o mundo a sua volta.

O misterioso crime do Nocturama ocupa os noticiários. Em torno dele, giram as vidas de um entregador coreano, uma enfermeira especializada em pacientes terminais, um taxista com pendor para música clássica, um escrivão insone às voltas com a doença do pai e uma bióloga com pretensões televisivas. E, ao centro dessa trama cada vez mais macabra, está a criatura. Vestindo galochas e uma capa de chuva vermelha, ela passa os dias num casarão do Bom Retiro, sem jamais sair à rua. Embora pareça uma criança, sua idade é indeterminada, bem como suas intenções. Em A tristeza extraordinádiria do leopardo-das-neves, Joca Reiners Terron traz ao nosso tempo uma história que poderia pertencer à Inglaterra vitoriana. No lugar da neblina e dos lampiões a gás, um efervescente bairro de imigrantes no coração de São Paulo, onde convivem sucessivas gerações de judeus, coreanos e bolivianos. Um ambiente ideal para o embate entre seitas secretas, assassinos em série e antigos mistérios de família.


A mente assombrada, de Oliver Sacks (Trad. Laura Teixeira Motta)
Quem nunca fechou os olhos antes de dormir e se deparou com uma série de luzes e manchas? Ou pensou ter ouvido ruídos e vozes que não estavam lá? Quem nunca, em suma, duvidou da própria mente em alguma situação? Para o neurologista Oliver Sacks, um dos grandes cientistas de nosso tempo, as alucinações são parte fundamental da consciência humana. Elas oferecem um vislumbre da arquitetura do cérebro e uma chave para muitos de seus mistérios. Praticamente todas as culturas buscaram experiências alucinógenas nas drogas, o que nos faz questionar até que ponto elas podem ter inspirado nossa arte, folclore e religião. Combinando erudição médica com relatos pessoais, Sacks investiga as causas e consequências das alucinações, seguindo a trilha de autoanálise e compaixão que marca sua obra.

Crônicas escolhidas, de Machado de Assis (Org. John Gledson)
Um Machado de Assis quase desconhecido se revela em suas centenas de crônicas, publicadas na imprensa do Rio de Janeiro entre 1859 e 1900. Nesta seleção, que abrange o principal período criativo de Machado, “a pena da galhofa e a tinta da melancolia” estão a serviço da atenta observação do cotidiano brasileiro e carioca, bem como do noticiário internacional. Quase sempre sob pseudônimo, Machado se vale do “grande veículo do espírito moderno” — o jornal — para refletir sobre os acontecimentos de sua época. Testemunha privilegiada de marcos históricos como a Abolição, a Proclamação da República, a crise do Encilhamento e a Revolta da Armada, o autor também se debruça sobre questões como o comportamento no interior dos bondes, o casamento sem paixão e a naturalidade dos estrangeirismos na língua portuguesa. Com organização, introdução e notas elucidativas de John Gledson, este livro oferece uma amostra generosa da produção jornalística de nosso grande escritor, que como cronista fez escola, assim como Rubem Braga, Nelson Rodrigues e Paulo Mendes Campos. (Leia o post de John Gledson, organizador do livro)

Editora Seguinte

A elite, de Kiera Cass (Trad. Cristian Clemente)
A Seleção começou com 35 garotas. Agora, restam apenas seis, e a competição para ganhar o coração do prícipe Maxon está acirrada como nunca. Quanto mais America se aproxima da coroa, mais se sente confusa. Os momentos que passa com Maxon parecem um conto de fadas. Mas sempre que vê seu ex-namorado Aspen no palácio, trabalhando como guarda e se esforçando para protegê-la, ela sente que é nele que está o seu conforto. America precisa de mais tempo. Mas, enquanto ela está às voltas com o seu futuro, perdida em sua indecisão, o resto da Elite sabe exatamente o que quer — e ela está prestes a perder sua chance de escolher.

Editora Paralela

Restos mortais, de Patricia Cornwell (Trad. Celso Nogueira)
Fred e Deborah, jovens, lindos e saudáveis, estão desaparecidos. O pânico toma conta da cidade de Richmond, na Virgínia. Será que o casal de namorados teve o mesmo fim que os outros quatro jovens casais desaparecidos anteriormente? A ideia é aterrorizante,  pois nos outros casos as vítimas foram achadas, meses depois, em estado avançado de decomposição. Suspeitos multiplicam-se como cadáveres abandonados, num quebra-cabeça sinistro e labiríntico onde vamos encontrar, mais uma vez, a dra. Kay Scarpetta: a mais intrigante protagonista do gênero policial moderno.


segunda-feira, 29 de abril de 2013

Aberta inscrição para o prêmio Paraná de literatura


Em sua segunda edição, o concurso vai selecionar livros inéditos de autores de todo o Brasil nas categorias Romance, Conto e Poesia


A Biblioteca Pública do Paraná lança nesta segunda-feira (29) o Prêmio Paraná de Literatura 2013. Como na primeira edição, realizada no ano passado, o concurso da Secretaria da Cultura do Paraná vai selecionar livros inéditos em três categorias que homenageiam escritores importantes da literatura paranaense: Romance (prêmio Manoel Carlos Karam), Contos (prêmio Newton Sampaio) e Poesia (prêmio Helena Kolody). Em 2012, quase 900 obras foram inscritas por autores de todo o Brasil.

O vencedor de cada categoria receberá R$ 40 mil e terá sua obra publicada pela BPP, com tiragem de mil exemplares. Os premiados também receberão 100 cópias de seus livros e poderão, mais tarde, reeditar seus trabalhos por outras editoras. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas até o dia 31 de julho (o edital com as regras e instruções está disponível nos sites bpp.pr.gov.br e seec.pr.gov.br). O resultado será divulgado na primeira quinzena de dezembro. O edital e a ficha de inscrição você encontra aqui.

Em 2012, os vencedores foram Alexandre Vidal Porto (com o romance Sergio Y vai à América), José Roberto Torero (Papis et circensis, contos) e Lila Maia (As maçãs de antes, poesia). Os três livros foram lançados e distribuídos pelo selo Biblioteca Paraná, que também edita autores paranaenses e resgata títulos relevantes que estejam esgotados ou fora de catálogo. Vidal Porto e Torero já confirmaram a reedição de suas obras pelas editoras Companhia da Letras e Alfaguara, respectivamente, enquanto Lila Maia promete para breve uma segunda impressão de seu trabalho.

“A publicação dos livros ganhadores também por grandes editoras mostra a força do Prêmio Paraná de Literatura e a seriedade com que os jurados trabalharam na escolha dos vencedores”, afirma Rogério Pereira, diretor da BPP e presidente do júri — que em 2012 contou com nomes como José Castello, Luiz Ruffato, Marçal Aquino e Heloisa Buarque de Hollanda, entre outros. “A comissão julgadora é um dos pilares do Prêmio. Teremos um cuidado muito especial na escolha dos nove integrantes do novo júri”, completa Pereira.

Para o diretor da BPP, a preocupação central da organização do Prêmio Paraná é fortalecê-lo como um dos principais concursos literários do País. Para isso, foram mantidas a premiação em dinheiro apenas para os três primeiros colocados de cada categoria e a exigência de total ineditismo dos livros inscritos. “Os ganhadores com certeza serão reconhecidos como autores de qualidade, pois a disputa será sempre acirrada, levando em consideração o valor expressivo a ser pago. Além disso, um prêmio como este precisa surpreender o meio literário, despertar a curiosidade sobre a obra ganhadora. Daí a opção por trabalhos 100% inéditos”, explica.

“Quem ganha é o texto”

Vencedor na categoria Romance em 2012, Alexandre Vidal Porto diz que a premiação significou um impulso em sua carreira como escritor e o apresentou a outros públicos. “Como Sergio Y vai à América foi distribuído em bibliotecas e escolas, tenho recebido várias mensagens de leitores desse universo comentando algum aspecto da história.”

Praticamente desconhecida antes do concurso, Lila Maia conta que As maçãs de antes já recebeu críticas positivas de autores importantes como Affonso Romano de Sant’Anna, Marcelino Freire e Suzana Vargas. “O Prêmio Paraná tem essa característica muito importante de abrir portas para escritores que estão fora do circuito literário”, afirma.

José Roberto Torero, vencedor do Jabuti em 1995 por O Chalaça, destaca o fato de que a comissão julgadora do Prêmio Paraná avalia as obras inscritas sem saber quem são os participantes. “É muito melhor assim. Em outros prêmios, o nome do autor, da editora, os amigos e inimigos do autor e a cobertura da imprensa podem acabar influindo, para o bem ou para o mal. Aqui, não. Aqui quem ganha é o texto. E só ele é que importa.”