quinta-feira, 9 de maio de 2013

Murakami: escrever é descer ao segundo subsolo da alma.

Murakami é o autor do momento, principalmente entre artistas, gente da mídia que faz questão de divulgar que está lendo um livro dele. Eu ainda não tive o prazer de lê-lo mas, li a reportagem da Veja e coloco aqui uma cópia para meus leitores.



Escrever um romance é como descer ao segundo subsolo escuro da alma, cujas saídas você desconhece. Foi assim que o recluso Haruki Murakami, autor do ótimo 1Q84, definiu o ofício de escrever. Em sua primeira fala pública em dezoito anos, o prestigiado escritor japonês, que não costuma conceder entrevistas, deu uma palestra na Universidade de Kioto com o tema "Observar a alma e escrever" em homenagem ao psicólogo Hayao Kawai, um amigo que morreu recentemente.
Cerca de 500 fãs do escritor, escolhidos por sorteio, puderam assistir à palestra. Jornalistas foram admitidos, mas sem autorização para gravar suas palavras ou a tirar fotos. "Para criar alguma coisa, os romancistas ou os músicos têm a necessidade de descer as escadas e encontrar uma passagem que os leve ao segundo subsolo", disse o escritor, seguindo com a metáfora entre edifício e alma. 
Na conferência desta segunda-feira, Murakami falou também do livro que lançou há cerca de um mês no Japão, Shikisai wo Motanai Tazaki Tsukuru to Kare no Junrei no Toshi (algo como O Descolorido Tsukuru Tazari e seus Anos de Peregrinação), publicada com 1 milhão de exemplares. Foi o seu primeiro livro depois do último volume da trilogia 1Q84, que saiu em 2010 no Japão e ainda está sendo editada no Brasil. Shikisai wo Motanai Tazaki..., um romance de 370 páginas, conta a história de Tsukuru Tazaki, jovem que enfrenta o passado, servindo-se de uma história de amor para sair de sua situação. 


O escritor disse que havia vivido algo parecido com o personagem. "Quando você está realmente mal, quer esconder seu trauma dos demais e tentar superar, mas não é uma coisa fácil", disse. O autor lembrou do dia em que entrevistou uma jovem que acabava de perder o marido no atentado com gás sarin praticado pelos membros da seita Aum (Verdade Suprema) no metrô de Tóquio, em 1995. "Falei cerca de meia hora depois da entrevista, quando eu andava de trem, que comecei a chorar. Não consegui parar de chorar por uma hora."
Murakami afirma, no entanto, que gosta mais de rir e de fazer rir do que de provocar choro. "Algumas pessoas me dizem que choraram ao ler meus romances, mas fico mais feliz se elas dizem que riram. A tristeza é algo muito pessoal, que prolonga a introversão. Mas o riso é uma coisa que se propaga entre as pessoas", explica Murakami, considerado um dos autores japoneses contemporâneos mais importantes, citado há vários anos como candidato ao Prêmio Nobel. Seus livros, nos quais o absurdo se mistura com o mal-estar social de japoneses fora do comum, foram traduzidos a 40 idiomas.
O autor justificou suas aparições escassas por sua firme vontade de passear em paz e não ser reconhecido ou incomodado pelas ruas. "Por favor, me considerem uma espécie em risco de extinção e se contentem em me observar tranquilamente de longe", disse. "Se eventualmente tentarem falar comigo ou me tocarem, posso me sentir intimidado e mordê-los. Então, por favor, sejam prudentes." Segundo a imprensa japonesa, as últimas aparições públicas de Murakami ocorreram durante as sessões de leitura que se seguiram ao terremoto de 1995, quando grande parte da cidade de Kobe (oeste) foi destruída e 6.400 morreram.
(Publicação original da agência France-Presse)

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Lançamentos da semana




Intervenções, de Kofi Annan (Trad. Donaldson M. Garschagen)Kofi Annan tem sido ao mesmo tempo testemunha e protagonista dos mais decisivos acontecimentos históricos das últimas décadas. Neste aguardado livro de memórias, o primeiro africano negro a ocupar o cargo de secretário-geral da ONU pontua a narrativa de sua fecunda trajetória de diplomata e mediador de conflitos com análises penetrantes e realistas do cenário geopolítico mundial. Vencedor do prêmio Nobel da Paz de 2001, ao lado da própria ONU, pelo notável trabalho na resolução de disputas armadas e no combate ao HIV/AIDS, Annan realiza um balanço crítico de sua atuação à frente da organização multilateral responsável pela manutenção da paz e pela promoção dos direitos humanos em escala planetária. Intervenções expõe os bastidores da diplomacia das grandes potências ao destacar temas centrais das relações internacionais no século XXI como o conflito israelo-palestino, as “guerras contra o terrorismo” e a erradicação da miséria.

Obras completas, volume 9, de Sigmund Freud (Trad. Paulo César de Souza)
Observações sobre um caso de neurose obsessiva (o caso do “Homem dos ratos”) é um dos cinco grandes casos clínicos relatados por Freud. Seu protagonista é um jovem advogado que sofre de sintomas clássicos de neurose obsessiva, como ideias terríveis que sempre retornam e que requerem o cumprimento de certos rituais para que não se tornem realidade. Uma dessas obsessões — que veio a caracterizar o paciente — é a de que um suplício oriental envolvendo ratos será infligido a seu pai e à mulher que ama. Freud busca elucidar as origens infantis dessa neurose e os sentimentos ambivalentes que a governam. Uma recordação de infância de Leonardo da Vinci é o mais célebre e controvertido estudo psicanalítico de uma personalidade artística. A recordação a que o título se refere se encontra nas anotações de Leonardo: quando este era criança, ainda no berço, um pássaro teria se aproximado e batido com a cauda várias vezes em sua boca. Com base nessa e noutras informações, Freud vê relações entre a arte de Leonardo e sua infância muito peculiar, e oferece uma explicação psicanalítica para a homossexualidade do autor da Monalisa.

Portfolio-Penguin

Os limites do possível, de André Lara Resende
Em Os limites do possível, André Lara Resende reúne pela primeira vez seus ensaios e reflexões sobre os rumos da economia contemporânea. Um dos mais importantes economistas brasileiros, Lara Resende questiona dogmas da teoria e da política econômica, analisa em profundidade a crise financeira de 2008, além de abordar temas essencialmente nacionais, como a peculiaridade da inflação e da alta taxa de juros brasileira. Com elegância, consistência e erudição, os ensaios aqui reunidos apresentam uma análise contundente da economia atual, levando-nos — invariavelmente — a pensar além da conjuntura.

Clique: como nascem as grandes ideias, de Frans Johansson (Trad. Peterso Rissatti)
Pode parecer pouco plausível e mesmo desconcertante que o sucesso seja tão dependente de circunstâncias. É possível que o crescimento vertiginoso da Microsoft nos anos 1990 seja resultado de um momento de insight? A genialidade de Picasso pode ser atribuída a uma série de apostas intencionais? O sucesso de uma empresa como a Pfizer pode acontecer pela atuação de forças complexas? Talvez aquilo que consideramos visão, brilhantismo, estratégia e planejamento seja, em última instância, obra da aleatoriedade. Em Clique: como nascem as grandes ideias, Frans Johansson mostra ao leitor como incorporar a incerteza no centro da execução da estratégia. O mundo sempre se comportou de um jeito imprevisível, e isso nunca foi tão real quanto hoje. Mas isso significa que qualquer um pode mudar o mundo das formas mais inesperadas. Uma oportunidade pode se apresentar num piscar de olhos. Pode acontecer quando você menos espera. Pode acontecer num instante.

Editora Seguinte

A queda dos reinos, de Morgan Rhodes (Trad. Flávia Souto Maior)
Nos três reinos de Mítica, a magia estava esquecida desde tempos imemoriais. Depois de séculos de uma paz mantida a muito custo, certa agitação começa a emergir. Enquanto os governantes lutam cegamente pelo poder, seus súditos têm suas vidas brutalmente transformadas com a eclosão repentina da guerra. É assim que o destino de quatro jovens — três herdeiros e um rebelde — acabam interligados para sempre. Cleo, Jonas, Lucia e Magnus vão ter de lutar, cada um à sua maneira, em um mundo revirado pela guerra, onde imperam traições inesperadas, assassinatos brutais, alianças secretas e paixões arrebatadoras.