A Editora Perspectiva lançou em19/08/2013 o livro Norberto Bobbio: trajetória e obra, de Celso Lafer, presidente da FAPESP. Apresentado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o livro reúne 16 textos sobre o filósofo italiano, publicados por Lafer entre 1980 e 2011, organizados em cinco partes: o perfil intelectual de Bobbio e suas contribuições para as relações internacionais, direitos humanos, inovação da reflexão jurídica e para a teoria política.
“Os campos do conhecimento a que Bobbio se dedicou foram aqueles aos quais consagrei minha vida de estudioso”, sublinhou Lafer na introdução do livro.
Lafer conheceu Bobbio pessoalmente em 1982, quando ele veio pela primeira vez ao Brasil para conferências na Universidade de Brasília (UnB) e na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). Foram amigos até a morte do filósofo, em janeiro de 2004, em uma relação intermediada por Michelangelo Bovero,sucessor de Bobbio na cátedra de Filosofia Política na Universidade de Turim, a quem Lafer dedica a obra e dá a palavra na contracapa do livro. “Foi com Bovero que discuti todos os textos que escrevi sobre Bobbio desde 1989”, ele conta.
Morto aos 94 anos, Bobbio foi um filósofo militante. Formou-se no período fascista, participou da Resistência – foi membro do Partido da Ação e preso duas vezes – e conheceu “o deletério significado da fúria dos extremos, voltados para a destruição da razão e da glorificação da violência, das quais o regime de Mussolini foi um dos emblemas”, escreve Lafer.
Socialista-liberal de esquerda, opôs-se à violência e aos riscos de seus desdobramentos na política, no Direito, na cultura e na sociedade que, segundo ele, enredava a humanidade num “labirinto de convivências coletivas”, cuja saída só seria iluminada pela razão.
Escreveu dezenas de livros, centenas de artigos e ensaios – “sua obra abrange mais de 5.000 títulos”, conta Lafer – nos quais inspecionou tragédias vividas pela humanidade no fato bélico, como afirmou Roberto Romano em resenha publicada em O Estado de S.Paulo, em 10 de agosto.
Fonte Exame
