terça-feira, 17 de setembro de 2013

Lançamentos da semana




O livro de Tiradentes, Kenneth Maxwell (coord.) (Tradução de Maria Lucia Machado e Luciano Vieira Machado)
O Recueil des Loix Constitutives des État-Unis de l’Ámerique, que compõe o cerne desta história, é a coletânea dos documentos constitucionais fundadores dos Estados Unidos da América: a Declaração de Independência, uma primeira redação dos Artigos de Confederação, um censo das colônias inglesas de 1775 e outros termos acessórios, como a constituição de seis dos treze estados confederados. Mas o Recueil (ou “O livro de Tiradentes”, como passou a er conhecido nas Minas) é muito mais que isso: protagonista de uma história que envolve o Brasil, a América do Norte, a Europa e suas relações recíprocas entre 1776-8 e 1789-2, a coletânea de leis foi o principal veículo de informações sobre o republicanismo norte-americano para os conjurados mineiros, os quais passavam de mão em mão duas edições que chegaram por vias tortuosas à porção insurgente da colônia portuguesa nas Américas. Com textos que elucidam o documento analisado e seus contextos, este volume é uma viagem por essa verdadeira história atlântica de transmissão de ideias políticas.

Se vivêssemos em um lugar normal, de Juan Pablo Villalobos (Tradução de Andreia Moroni)
Na periferia de Lagos de Moreno, no México, a casa do adolescente Orestes e sua família é a única construção humana à vista.  Minúscula e mal-acabada, a “caixa de sapato” atrai a atenção de um grupo de especuladores que pretende erguer ali um condomínio de luxo. O pai é um mestre do insulto e defensor de uma moral que parece não caber no mundo em que vive. A mãe recusa a sua condição social bradando aos quatro ventos que a família pertence à classe média, “como se os níveis socioeconômicos fossem um estado mental”. Tudo aconteceu nos anos 1980. Vinte e cinco anos depois o herói desta saga moderna reconstrói o passado escancarando a violência cotidiana e desmantelando as fronteiras entre o trágico e o cômico.

Vencedor do prêmio Camões em 2013, Mia Couto é um dos autores mais versáteis da atualidade, com uma obra que inclui poesia, crônicas, romances e contos. É também conhecido (e adorado) por sua prosa sensível e muitas vezes poética. Nesta edição, que privilegia histórias da infância, o leitor conhecerá a prosa inconfundível de Mia Couto através de dezessete contos selecionados, entre eles, “O embondeiro que sonhava pássaros”, que conta a história de um vendedor de pássaros rechaçado pela vizinhança por ser negro, e “A Rosa Caramela”, qu descreve a surpresa de um filho ao descobrir que o pai foi protagonista de uma história de amor. Prosador atento às complexidades da vida, Mia Couto é sempre capaz de criar histórias que nos alimentam e nos enchem de esperança.

O homem que fazia chover & outras histórias, de Carlos Drummond de Andrade
Fábulas, anedotas, parábolas e contos. Não há modalidade de prosa que não tenha sido tocada por Carlos Drummond de Andrade. Nas crônicas e contos reunidos para esta edição, buscou-se aqueles textos que evidenciam o pendor mais ficcional do grande poeta brasileiro. São histórias divertidas e tocantes que atestam a extraordinária imaginação e o amplo arsenal verbal do escritor mineiro para desfiar os mais diversos causos, muitos deles a partir de notícias de jornal. Numa prosa hábil em caracterizar personagens e escritas numa voz amigável, as histórias de Drummond — selecionadas a partir de livros como Contos de aprendizContos plausíveisA bolsa e a vida, entre outros — divertem e iluminam aspectos do nosso cotidiano a cada nova leitura.


segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Lançamentos Companhia das letras

A cidade, o inquisidor e os ordinários, de Carlos de Brito e Mello
A moral e os bons costumes estão satirizados neste que é um dos mais originais romances da literatura brasileira contemporânea. Um inquisidor percorre as ruas e ocupa as consciências dos cidadãos. A cada pecado proclamado, a noção de comunidade vai sendo gradualmente esmagada pela pequenez de nossos atos diários, tornando o cotidiano um permanente auto de fé. As conversas entre vizinhos indiscretos, a voracidade que muitos têm para investigar a vida alheia e o desmoronamento da sociedade em nome da vigilância de cada uma de nossas ações — alegadamente para o nosso próprio bem-estar — fazem deste romance de Carlos de Brito e Mello um dos textos mais contundentes (e divertidos) da ficção atual.

Uma teoria provisória do amor, de Scott Hutchins (Tradução de José Geraldo Couto)
Apesar de não entender nada de informática, o ex-redator de publicidade Neill Bassett Jr. está engajado na tentativa de criação do primeiro computador inteligente do mundo. A explicação é simples: a memória do computador foi alimentada basicamente com os diários de seu pai, um médico do Arkansas que se matou há quase vinte anos. Esse é o ponto de partida do romance de estreia de Scott Hutchins. Os dilemas e as descobertas dolorosas de Neill no processo de fazer seu pai reviver virtualmente se entrelaçam com seus próprios tropeços na vida pessoal, tendo como pano de fundo a paisagem multicolorida da baía de San Francisco, com sua variada fauna de artistas, nerds,  místicos, pornógrafos e picaretas de todo tipo. Narrado em primeira pessoa pelo protagonista, Uma teoria provisória do amor encanta o leitor desde a primeira página pelo tom leve e satírico com que observa seus personagens e, ao mesmo tempo, comenta as loucuras do mundo contemporâneo.

Dever, de Armando Freitas Filho
Na primeira parte de Dever, apropriadamente chamada “Suíte”, o autor retorna ao Lar, de 2009, e o reelabora viajando, através da vida da memória pretérita à dos dias atuais. Esse conjunto de poemas se detém em “casas, roupas, móveis etc.” que “não são necessariamente obras de arte. São disposições humanas da matéria sensível. Se dispostas de tal forma que sirvam pra fins estéticos, então são obras de arte”, como afirmou James Joyce nos esboços de uma “Estética”, escrita na mocidade. A segunda, “Anexo”, já está na rua, “jornalística”, mas sem abrir mão do transfigurador trabalho literário, dando conta dos eventos de antes e de agora, que atravessaram o poeta. A terceira, “Numeral”, que desde 2003 é a coda dos livros de Armando Freitas Filho, continua obstinadamente a passar em revista sua poética, com um anseio de ensaio, sempre sujeita, ao que parece, a retificações futuras, até quando ele não puder numerar mais.

Editora Paralela

A lista do nunca, de Koethi Zan (Tradução de Elvira Serapicos)
Vítimas de um acidente de carro quando ainda eram crianças, as amigas inseparáveis Sarah e Jennifer decidem tomar todos os cuidados para se manter sempre seguras. No entanto, quando estão no primeiro ano da faculdade acabam sendo sequestradas facilmente depois de entrar em um táxi à noite. Em uma situação pior do que jamais poderiam imaginar, elas passam os três anos seguintes acorrentadas no porão da casa de um professor — alguém acima de qualquer suspeita, mas que praticava com elas as mais diferentes técnicas de tortura. Dez anos depois, a vida de Sarah está longe de ser normal. Seu sequestrador, que ainda lhe manda cartas da prisão, está prestes a ser liberado. Por mais que busque ficar distante, voltar aos acontecimentos do passado pode ser sua única chance de realmente se livrar de tudo. A lista do nunca se torna ainda mais impressionante e assustador quando vemos, na vida real, fatos que não são tão distantes assim da ficção. Um deslize, um único momento de desatenção, pode ser fatal.

Os números do jogo, de Chris Anderson & David Sally (Tradução de André Fontenelle)
De forma surpreendente, o estatístico Chris Anderson e o especialista em estratégias David Sally mostram por que os números do jogo podem nos ajudar a compreender o futebol em sua essência. Ao ler este livro, você vai descobrir por que os escanteios devem ser cobrados curtinho, por que o futebol é um esporte do elo mais fraco e por que demitir o treinador não resolve absolutamente nada.