A página "o texto" ali no cabeçalho do blog foi aberta para iniciarmos um estudo do texto e seus contextos, onde falaremos de formas do texto, contos, poesias, crônicas e tudo que envolve a escrita.
I Parte.
O texto literário e não literário
Um texto é um conjunto coerente de enunciados que forma uma unidade de sentido e que tem intenção comunicativa (pretende transmitir uma mensagem). O adjectivo literário, por sua vez, está vinculado à literatura, que é o conjunto de saberes para ler e escrever bem.
O texto literário é aquele que usa a linguagem literária, isto é, ele sublima a realidade, um tipo de linguagem que atende fins estéticos para suscitar o interesse do leitor. O autor de literatura procura as palavras adequadas para expressar as suas ideias de forma cuidada e segundo um certo critério de estilo.
A estética irá depender do próprio autor e poderá obter-se através de diversos recursos linguísticos, gramaticais, os de estruturas do texto, acrescentando, suprimindo ou repetindo estruturas, os semânticos, como a metáfora ou a metonímia e os fônicos.
Pegando como exemplo a frase seguinte: “O gato subiu no telhado e de lá ameaçava cair” é um texto informativo que transmite uma mensagem mas sem nenhuma intenção literária. No entanto, um texto do gênero “O bichano virou pássaro, voou para o telhado, criou asas, com as quais ameaçava voar mais além” é literário: a mensagem é comparável à anterior em termos de conteúdo, mas a linguagem utilizada traz conteúdo literário.
Comprova-se assim o quanto o tipo de texto depende da intenção comunicativa. Não faz sentido adornar um texto com figuras estilísticas ou palavras rebuscadas se o objectivo é transmitir a mensagem de forma clara e transparente à maior quantidade de leitores possível, quer dizer, sem rodeios, falando direto e lá não se usa linguagem literária.
A linguagem literária é um adorno que o autor coloca no texto e que o embeleza e cria no leitor a possibilidade deste sair da realidade banal para entrar no imaginário, como um exercício de reconhecimento comparativo, indo discernir o real por meio da magia literária. Quase como magia, se pode assim dizer, pois esta magia é mais ou menos intensa conforme a habilidade do autor em lidar com a forma da escrita.