quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

E-books no Brasil


No começo da noite de 5 de dezembro de 2012, a Livraria Cultura iniciou a venda do primeiro leitor digital dedicado no Brasil, o Kobo, produzido pela empresa canadense de mesmo nome, hoje uma propriedade do grupo japonês de comércio eletrônico Rakuten. Poucas horas depois, por volta da meia-noite, entravam em atividade no país, praticamente ao mesmo tempo, dois grandes nomes da tecnologia americana: a Amazon, com um site ponto-br, e as seções de livros e filmes da loja de aplicativos do Android, a plataforma móvel do Google. A chegada das gigantes do e-book causou frisson entre editores, livrarias e leitores, divididos entre as expectativas de mudanças no mercado e nos hábitos de leitura, que incluíam temores sobre o futuro do livro impresso. Foi aí, afirmam especialistas e profissionais da área, que teve início de fato o negócio do livro digital no Brasil. Em doze meses, o segmento se expandiu do traço para algo entre 2% e 4% do faturamento total de títulos comercializados. O número pode parecer baixo, mas é festejado por especialistas e profissionais da área, que veem uma arrancada superior à de países como os EUA e estimam uma participação de até 10% ao fim de 2014.


Segundo o economista Carlo Carrenho, que atua como consultor do mercado editorial, o e-book só se tornou popular no Brasil com a chegada das três gigantes. Antes, ele era vendido – de forma tímida e sem alcançar 1% do mercado total – por redes de livrarias como Saraiva e Cultura e pelo site Gato Sabido, o primeiro a comercializar livros digitais no país, ainda em 2009. De dezembro de 2012 para cá, nas contas do consultor, foram vendidos cerca de 3 milhões de livros virtuais no país.



O desempenho no período, que é considerado o início de fato do negócio no país, pode ser comparado ao americano, diz Carrenho. A curva de crescimento é semelhante, mas ainda mais acentuada por aqui. Nos Estados Unidos, o segmento fechou o que foi considerado o seu primeiro ano, o intervalo de 2007 a 2008, com algo como 1% do setor editorial total. Hoje, cinco anos depois, já passa dos 25%, patamar que o Brasil pode atingir em menos tempo, alcançando a estabilidade que se vê hoje nos EUA e também na Europa, igualmente em torno de 25%.



O patamar é entendido como um sinal de maturidade do mercado, de acordo com Mauro Palermo, diretor-geral da Globo Livros, editora que investe na digitalização de livros de olho no crescimento que se projeta pela frente. Com 30% do seu catálogo de 1.000 títulos convertidos, a Globo Livros teve de 2,5% a 3% de sua receita gerada pela venda de e-books neste ano. “Eu considero o desempenho brasileiro dentro da expectativa”, diz Palermo. “Até porque poucas pessoas têm leitores de livros digitais, os aparelhos aqui são caros se comparados aos vendidos em outros países. O número é bom para um primeiro ano.”

A Globo não está sozinha na aposta no livro digital. A Intrínseca, por exemplo, já tem aproximadamente 90% de seu catálogo, formado por 250 títulos, em versão digital. “Até meados de 2014, esperamos ter o catálogo todo em e-book”, afirma o dono da editora, Jorge Oakim. No balanço da empresa, o livro virtual deve representar até 4% do faturamento em 2013. Otimista, é Oakim quem dá o maior lance nas apostas para 2014: ele acredita que o segmento digital pode atingir 10% do mercado editorial total daqui a um ano.

A Companhia das Letras tem aposta um pouco mais modesta. Fabio Uehara, responsável pelos e-books na editora, afirma que o setor pode abocanhar até 8% do bolo total em 2014 – ou seja, no mínimo dobrar a representatividade atual. Como a Globo, a empresa tem 30% de seu catálogo convertido – um catálogo que chega a 3 000 títulos. Como prova do investimento no segmento, a editora criou em julho o selo Breve Companhia, exclusivamente de e-books.

Ao todo, de acordo com Carrenho, que também dirige um site especializado no mercado editorial, o PublishNews, o catálogo brasileiro de e-books conta com cerca de 30 000 títulos. Para efeito de comparação, o chamado catálogo vivo de impressos, isto é, aquele composto por livros que estão disponíveis para a venda, possui entre 180 000 e 200 000 títulos, segundo dados da empresa de pesquisas Nielsen.

Perfil do leitor – Para Fabio Uehara, o consumidor de e-books não difere muito daquele que prefere o livro impresso. Nem a idade é vista como um diferencial – ao contrário do que pode se imaginar, os jovens não são mais atraídos pelo formato.

Susanna Florissi, diretora livreira da Câmara Brasileira do Livro (CBL), faz análise semelhante. “Não há diferença. É só uma questão de preferência e de adaptação aos novos formatos e suportes. Há sempre os extremos: pessoas que afirmam que jamais lerão livros no formato digital e outras que jamais o farão no formato impresso.”

Para Palermo, da Globo, os e-readers atraem principalmente quem compra bastante livro e vê na tecnologia um investimento interessante. “Essas pessoas enxergam o leitor como um investimento, pois elas vão recuperar o valor gasto no aparelho ao economizar com os e-books, que custam cerca de 30% menos do que os livros impressos.”


Publicado pela Veja em 01/05/2013

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

O texto e seus contextos

A página "o texto" ali no cabeçalho do blog foi aberta para iniciarmos um estudo do texto e seus contextos, onde falaremos de formas do texto, contos, poesias, crônicas e tudo que envolve a escrita.
I Parte.
O texto literário e não literário
Um texto é um conjunto coerente de enunciados que forma uma unidade de sentido e que tem intenção comunicativa (pretende transmitir uma mensagem). O adjectivo literário, por sua vez, está vinculado à literatura, que é o conjunto de saberes para ler e escrever bem.
O texto literário é aquele que usa a linguagem literária, isto é, ele sublima a realidade, um tipo de linguagem que atende fins estéticos para suscitar o interesse do leitor. O autor de literatura procura as palavras adequadas para expressar as suas ideias de forma cuidada e segundo um certo critério de estilo.
A estética irá depender do próprio autor e poderá obter-se através de diversos recursos linguísticos, gramaticais, os de estruturas do texto, acrescentando, suprimindo ou repetindo estruturas, os semânticos, como a metáfora ou a metonímia e os fônicos.
Pegando como exemplo a frase seguinte: “O gato subiu no telhado e de lá ameaçava cair” é um texto informativo que transmite uma mensagem mas sem nenhuma intenção literária. No entanto, um texto do gênero “O bichano virou pássaro, voou para o telhado, criou asas, com as quais ameaçava voar mais além” é literário: a mensagem é comparável à anterior em termos de conteúdo, mas a linguagem utilizada traz conteúdo literário.
Comprova-se assim o quanto o tipo de texto depende da intenção comunicativa. Não faz sentido adornar um texto com figuras estilísticas ou palavras rebuscadas se o objectivo é transmitir a mensagem de forma clara e transparente à maior quantidade de leitores possível, quer dizer, sem rodeios,  falando direto e lá não se usa linguagem literária.
A linguagem literária é um adorno que o autor coloca no texto e que o embeleza e cria no leitor a possibilidade deste sair da realidade banal para  entrar no imaginário, como um exercício de reconhecimento comparativo, indo discernir o real por meio da magia literária. Quase como magia, se pode assim dizer, pois  esta magia é mais ou menos intensa conforme a habilidade do autor em lidar com a forma da escrita.